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13 Ago | 16:31:12

Leandro Costa fala sobre empreendedorismo em Talk Show




Conte um pouco dessa fundação de seu principal empreendimento, que é o escritório de arquitetura, como se deu essa formação do Costa?

Iniciei o escritório juntamente com meu sócio, Cleverson Fizinus, onde nos conhecemos na faculdade, fazendo trabalhos juntos e desde então começamos a prepararmos e sonharmos com a empresa. Hoje fazem 14 anos de uma construção sólida e com grandes resultados no decorrer dos dias. O primeiro escritório foi no apartamento do Cleverson no Edifício Mega Vila e nessa época eu ainda trabalhava com meus pais, nossa família possui duas joalherias, e dividia meus turnos. Durante o dia eu trabalhava no comércio e a noite eu ia para a casa do Cleverson trabalhar com arquitetura. No período da faculdade, meu sócio já trabalhava como desenhista, e devido a isso no final da graduação ele já tinha uma bagagem, as pessoas já o conheciam pelo seu talento. Eu consegui manter a divisão do trabalho durante seis meses porque a demanda de projeto já era grande, então por isso decidi me dedicar em tempo integral à arquitetura.

Abrimos nosso escritório em uma pequena sala na Av. Paraná e assim começou surgir novos trabalhos e grandes projetos. Um dos projetos mais significativo para nós foi o prédio da ACIFI que agora está sendo inaugurado. Recebemos um convite para apresentar uma proposta de orçamento e ideias para o desenvolvimento desse projeto e foi aí que decidimos fazer algo diferente, nossa indagação foi: como os concorrentes irão apresentar essa proposta? Sabíamos que havia outros três escritórios concorrendo. Contratamos uma empresa de produção de vídeo e fizemos uma apresentação contando o que imaginávamos do prédio da ACIFI. Os outros arquitetos apresentaram propostas escritas ou desenhadas. Com o vídeo, conseguimos a contratação, fizemos diferente e a decisão foi unânime. Foi nosso primeiro projeto de maior expressão e que nos deu um certo respaldo para confirmar que estávamos seguindo o caminho certo com a nossa empresa.

Além deste, teve algum outro momento no escritório de virada ou consolidação?

Logo depois desse processo todo, houve um período em que trabalhávamos demais, durante o dia e noite. Eu nunca gostei disso porque à noite eu preciso descansar, já o meu sócio Cleverson, não, ele gosta de trabalhar durante a noite, e geralmente a maioria dos arquitetos tem esse perfil noturno, já eu tenho um perfil diferente, gosto de acordar cedo e preciso dormir cedo. E trabalhando dia e noite apenas eu e meu sócio, chegamos um momento em que estávamos exaustos, com carga e pressão muito grande de toda parte, pelo cliente, fornecedores, e na obra, onde há um envolvimento de muitas pessoas e chegou ao ponto em que percebemos que trabalhávamos muito e a remuneração não valia a pena todo o esforço. Foi aí que tivemos o start e decidimos buscar ajuda através de consultorias. Nesse período buscamos o Sebrae  para  montar um plano de negócios para nossa empresa, um planejamento administrativo, e nessa consultoria nos falaram: “vocês confundem o trabalho com negócio, trabalho é o que estão fazendo, negócio é o que precisam buscar, vocês tem que ter hora pra trabalhar, precisam montar uma estrutura, ter funcionários, organização financeira, administrativa e de recursos humanos”. O meu sócio Cleverson estava extasiado porque realmente não tínhamos um negócio e apenas trabalhávamos. Assim que saímos da primeira consultoria começamos a nos organizarmos, contratando estagiários, e formando uma equipe aos poucos, conforme íamos precisando. Adotamos o horário comercial de trabalho e fomos nos estruturando, como toda empresa deve fazer.

Podemos notar três pontos chave: profissionalismo, metodologia de trabalho e a forma como nos apresentamos.  Conte-nos mais sobre sua visão pessoal sobre cenário atual e uma pequena projeção sobre o futuro da arquitetura em Foz do Iguaçu e região.

Eu penso que o futuro da arquitetura é a profissionalização, precisamos ter mais profissionais capacitados e estruturados que é o que engrandece nossa profissão, pois a maioria dos profissionais da nossa cidade, trabalham como autônomos. Quanto mais estruturas organizadas e administradas, maior valor será dado à nossa profissão. Se o concorrente for melhor e apresentar projetos melhores eu tenho que correr atrás, terei que melhorar também meus projetos. Como exemplo, faço uma especialização em Arquitetura Hoteleira em São Paulo, porque começamos a nos envolver com alguns trabalhos de hotelaria e eu precisava buscar conhecimento desta área para concorrer com profissionais especializados e que são de fora de Foz do Iguaçu. Busquei um curso em São Paulo, que é referência no país, fomos atrás do que tinha de melhor e isso já nos permitiu alcançar resultados. Alguns hotéis já buscam nosso escritório devido essa capacitação que fizemos. É isso que todos deveriam fazer, quanto mais profissionais capacitados, melhores serão os produtos ofertados, nossa cidade ficará mais bonita arquitetonicamente, crescerá com qualidade, e ao final, todos ganham.

Por que sair do individual e ir para uma estrutura organizada de empresa?

Hoje quase 60% dos nossos contratos são pessoas jurídicas, empresas que nos contratam, e só contratam porque somos empresa. Dificilmente uma empresa contratará um profissional autônomo, não estou desmerecendo, somente estou explicando como acontece conosco. Caso você tenha uma empresa constituída, é mais fácil do seu cliente te encontrar e isso te gera um nicho maior, pelo menos essa é a experiência que temos na nossa empresa.

Numa contratação, quando vão adicionar uma pessoa na empresa, quais valores você identifica, para trazer para sua equipe?

Pessoas interessadas, curiosas e estudiosas, sempre procuramos pessoas que querem trazer coisas novas. Temos experiências no escritório, de surpresas boas, com colaboradores ou parceiros que nos surpreendem apresentando tecnologias, novos softwares, ideias inovadoras, e essa é a equipe ou colaborador que vale a pena para nós, não só na área administrativa, mas na área de produção de projetos agregando e crescendo juntamente com a nossa empresa. Eu e Cleverson temos uma linha, um perfil de produção que as pessoas que estão conosco, percebem, e começam a criar de acordo com as nossas características. Hoje os arquitetos que estão conosco, iniciaram como estagiários, são profissionais que entenderam nossa proposta e sempre estão alinhados com nossos propósitos, é isso que buscamos.

Você tem estudo na área de liderança, e no sentido da liderança, o que você respira e leva com você em sua pratica?

Tenho MBA em Liderança e desenvolvimento territorial, porém nenhum título substitui a experiência da prática. Viver a liderança é fundamental! Eu costumo falar que na liderança temos que viver uma vida de recompensa, mas o que seria isso? É se dedicar intensamente aquilo que você faz, pois isso irá te gerar uma recompensa. Tudo o que você faz, vai ter retorno, se você faz uma coisa boa, te retorna, se você faz uma coisa ruim, te retorna, se você se dedica e faz algo pensando não só em você, mas na sua equipe, nas pessoas que estão com você e te ajudam a crescer, certamente essas pessoas lhe retribuirão com o seu esforço maior.

Doar-se! se doe a sua equipe, se doe a sua família, se doe ao seu trabalho, e isso vai ser recíproco, as pessoas vão querer te ouvir, vão querer estar com você e fazer por você! Isso é que eu chamo uma vida de recompensas.

Vamos refletir agora sobre mercado local econômico de uma forma geral, como você vê Foz do Iguaçu nos próximos cinco anos?

Vejo que Foz do Iguaçu, apesar todos os problemas políticos gerados nos últimos anos, ainda assim se permite o crescimento. Se analisarmos a economia do país, Foz é atípica. O turismo está muito forte em Foz, vivemos um momento bom na cidade, fruto da organização do Trade turístico, e isso daqui um tempo vai ser notado com mais facilidade. A quantidade de empresas que estão vindo pra cá, e que já percebem nossa cidade como uma região com oportunidade de crescimento.

Analisem os altos números de crescimento da hotelaria de foz, o fato da rede hoteleira estar crescendo não e à toa, ninguém faz um investimento de 10, 20 ou mais milhões de reais à toa. Hotéis como o Recanto Cataratas, Mabu, Bourbom e outros, estão fazendo novos e  lindíssimos empreendimentos, eles não estão arriscando, possuem números, tem informações sólidas que aquele investimento obterá  resultado. A segunda ponte também, isso vai mexer com a cidade, deverá trazer junto à ela a construção da Perimetral leste. Estes e outros grandes investimentos deverão ser realizados brevemente.

Acreditem em Foz do Iguaçu, estruturem-se!

Ainda sobre a ponte, além das situações mais óbvias, vamos falar o que mais você enxerga como vantagem quando falamos em uma situação de estrutura fenomenal, que é a segunda ponte?

Nós somos uma cidade turística e estamos trabalhando para melhorar cada vez mais, A segunda ponte irá desviar o transito pesado de caminhões do centro da cidade. Para isso a construção da perimetral leste deverá se tornar uma realidade. Esta importante obra trará um novo ciclo de crescimento para nossa cidade. Com ela, deverá vir também a duplicação da BR-469 que também é fundamental, não dá para termos aquele corredor turístico da forma como está.  A Avenida das Cataratas deveria ser um grande passeio para os turistas, uma avenida com paisagismo, comércio e gastronomia pujantes, hotéis e estruturas de entretenimento.

Tive a oportunidade de estar por três vezes em Cancun, nos últimos 10 anos, e é incrível como aquele lugar se transformou neste período, é impressionante como eles profissionalizaram o turismo, e é isso que vejo aqui em Foz. Nosso aeroporto também está sendo reformado, mas não vai ser suficiente à demanda que será gerada, precisam pensar em uma segunda estratégia, são estruturas necessárias e vejo que é inevitável, vai acontecer nos próximos 10 anos.

 Qual o seu conhecimento sobre a aduana integrada Brasil, Argentina e Paraguai. Há algo mais concreto decidido?

Participei de algumas discussões, enquanto presidente da ACIFI e é algo que está sendo discutido, porém não pude acompanhar mais a evolução das tratativas. Ao meu entendimento esta integração deverá ocorrer através das novas tecnologias de identificação, como os e-gates que serão instalados na aduana argentina, agilizando o acesso e controle fronteiriço.

Na sua visão de empresário você acha que a administração pública de Foz do Iguaçu tem agido como facilitador aos empresários hoje?

Alguma coisa foi feita nessa gestão para melhorar a condição do empresário local, e pude participar ativamente de algumas lutas enquanto presidente da ACIFI. Eu sinto que houve pouca melhora, está longe do necessário, por exemplo, no que tange a abertura de empresas, e renovação e emissão de qualquer tipo de alvará, se compararmos com a prefeitura de Cascavel para a aprovação de projetos na área de engenharia e arquitetura, eles fazem tudo digital, você não precisa mais imprimir projeto, manda o arquivo, eles analisam e fazem a devolutiva ao profissional, e isso facilita muito. Desburocratizar, esta deveria ser a premissa básica em todos os processos. Quem sabe nas próximas gestões.

Você disse que Foz está com grande potencial. Na sua visão os empresários de Foz aproveitam isso?

Aproveitam de forma ainda muito tímida! Gostei da sua pergunta porque como eu passei por algumas entidades, percebi, de forma muita clara, que o iguaçuense culturalmente é acomodado. Existe uma oferta enorme de palestras e cursos, muitos deles gratuitos, e as pessoas não participam. Enquanto gestor das entidades das quais presidi, tínhamos que implorar a participação dos nossos representados. Isso é ruim, pois abrimos oportunidades para as pessoas de fora. Enquanto você está na sua casa comendo pipoca, tem gente se atualizando, vai tomar seu cliente, infelizmente.

Qual seria a meta do seu escritório?

A visão que definimos e trabalhamos, é fazer com que nos próximos cinco anos, nossa empresa seja a primeira opção, em Foz do Iguaçu, quando alguém decidir construir e reformar. Queremos que nossa marca esteja na vontade de contratação das pessoas. É isso que buscamos todos os dias, atender de forma que supere positivamente o que foi buscado na prestação do nosso serviço e que possamos fornecer uma experiência satisfatória aos clientes e usuários das nossas edificações.

Queria explorar agora com você a onda das lojas francas. Você vivenciou alguns momentos cruciais nesses últimos anos e gostaríamos de te ouvir nesse termo.

Enquanto presidente da ACIFI eu pude acompanhar um pouco e tentamos participar ao máximo da discussão sobre a legislação para implantação das lojas francas. Nós buscamos de várias formas uma maneira de que essa lei atingisse positivamente o maior número de empresários da nossa cidade, pra não criarmos nichos, setores, ou até mesmo, para não vir uma grande empresa e engolir nosso mercado, capitalizando de forma isolada.

Às vezes a gente percebe que o turista aproveita muito mais os benefícios da cidade do que as pessoas que moram aqui, talvez pelo comodismo. Notamos que abrem muitos estabelecimentos comerciais interessantes e fecham. Qual o motivo? O que falta?

Sua pergunta é muito boa. Primeiro, vale destacar que nossa cidade está crescendo muito na área gastronômica, recentemente abriram bons restaurantes e bares. Quanto ao tempo de vida destas novas empresas deve ser levado em consideração o plano negócios da empresa, a qualidade do produto e serviços ofertados. Uma gestão administrativa bem regrada pode ser fator determinante para o sucesso. Porém deve ser levar em conta outros 2 aspectos inerentes ao local: O iguaçuense tem o hábito de comer em casa, mas aos poucos isso vem mudando, outra questão é a crise econômica que afeta a todos, a renda percapita em Foz é baixa e também acaba atingindo as empresas. Analisando esses dois pontos é possível entender o fato de o turista usufruir mais os benefícios que a cidade oferece.

Você citou a cultura, como você vê a cultura iguaçuense? De que forma você nota que isso está prejudicando a cidade?

O ponto principal que vejo é comodidade (zona de conforto) e falta de participação, e isso é nítido, não só em palestras e cursos, mas também, na integração com as estruturas da cidade. Tem iguaçuense que ainda não foi às Cataratas, ou foi a muito tempo.

Não deveria vir dos empresários dentro desse contexto, começar a estimular mais isso?

Concordo, precisamos trabalhar nisso, para as empresas crescerem. Nós precisamos mudar a cultura do empresário, da equipe, do cliente, a cultura da participação, da integração ou pertencimento. Sinto que já houve um grande avanço, e este avanço se ao lado bom da crise, pois a partir dela as pessoas e/ou empresas, se reinventam.

Quem está na área da construção civil, tem dificuldade hoje na área da mão de obra. Por que que isso ocorre?

Somos associados ao SINDUSCON e esta percepção é clara para nós. Há uma grande dificuldade na capacitação dos trabalhadores deste setor. Temos ofertas de excelentes cursos e palestrantes, mas infelizmente não há participação. Ficamos num ciclo medíocre de desenvolvimento. Pouca tecnologia aplicada e baixa qualificação técnica. Sobreviverá aquela empresa que conseguir qualificar seus colaboradores e investir em tecnologia.

Considerando tudo o que foi discutido, se fossemos pontuar três pilares que garantem o sucesso de quem sonha em empreender, na sua opinião, quais seriam?

- Planejamento;

- Execução e Acompanhamento de perto;

- Estar aberto às mudanças.

Estes três pilares que praticamos e julgamos ser importante para qualquer empreendedor. 

O planejamento é fundamental em qualquer ação e tirar os planos do papel, mais ainda! Acompanhar a execução de perto, vendo os detalhes e ajustando quando necessário, pode ser fator determinante.

Todo empreendedor deve estar atento às mudanças do mercado, e se adequar a estas mudanças, com isso fará a diferença para garantir o sucesso. 

 

 

 

 

 


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