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01 Nov | 16:11:14

O poder de Meg Murphy





Jornalista vencedora do Prêmio Pulitzer palestrou no Centro Universitário UDC sobre “O Poder do Storytelling” e sua experiência na área da comunicação.

 

 

Uma sala lotada de jornalistas, professores, alunos, e outros profissionais da área da comunicação. Pode-se dizer que estão ali reunidos os grandes amantes de uma boa história, e também grandes especialistas em como conta-las. Foi para esse público que, contando sua trajetória, a jornalista americana Meg Murphy mostrou o que faz uma boa jornalista ser uma ótima contadora de histórias.

 

Com muito carisma, Murphy dividiu cada ponto de sua vida profissional com os expectadores, trouxe muitos ensinamentos, dicas e também uma boa noção de como é o mercado de trabalho no exterior. Como uma verdadeira storyteller, contou com a maior simplicidade como era ser uma professora em Harvard, trabalhar no hospital que é a maior referência em pesquisa e tratamento de crianças, o Boston Hospital, e escrever sobre ciências e tecnologias no Massachusetts Instituteof Technology, o MIT. Foi com a mesma humildade que contou sobre quando ganhou o Prêmio Pulitzer – o Nobel do jornalismo – quando tinha 20 anos, em um jornal pequeno.

Estava claro para todos que ali estava uma importante profissional, não só por todos os feitos de Murphy, mas pela maneira com que ela conduziu sua palestra. Extremamente solícita, desde o início da sua fala mostrou que estava aberta a perguntas. E o público com certeza tinha muitas. Respondeu cada uma com muita calma e consideração e não hesitou em dividir dicas importantíssimas sobre como é feita uma matéria vencedora do Pulitzer, por exemplo. Um momento de grande aprendizado.

 

Entrevista ping-pong

Conheça mais sobre Meg Murphy e sua história na entrevista que a Diva preparou.

 

Como começou sua história com o jornalismo?

Aos 10 anos de idade, uma professora notou que eu tinha muita habilidade de comunicação, e ela não estava falando sobre as minhas notas, mas sim da minha visão de mundo. Ela foi muito importante na minha vida porque foi quem me ajudou a criar a minha habilidade como escritora.Quando entrei na faculdade, senti que estar ali restringia a minha voz, e eu queria mais. Então, eu achei esse lugar onde as pessoas eram diferentes, se vestiam diferente, se comportavam diferente.  Eles eram jornalistas do The Varsity, o jornal estudantil da Universidade de Toronto, e foi ali que eu descobri que gostava de jornalismo pelas muitas possibilidades e meu desejo de contar grandes histórias. Depois disso, estudei na Columbia University, em Nova Iorque, e lá eles nos ensinaram a fazer nossa parte e trabalhar duro.Em uma atividade da universidade, fomos a um bairro pobre do Brooklin procurar histórias e lá tinha muitas pessoas incríveis. Foi ali que aprendi a fazer mais do que perguntar, e sim fazer as perguntas certas.

 

Como foi a experiência de escrever uma matéria vencedora de um prêmio tão importante?

Eu trabalhava no The EagleTribune, em Massachusetts,quando escrevi a história ganhadora do Pulitzer. Era sobre quatro crianças que morreram afogadas num lago. Passei um ano com as famílias que viveram essa tragédia e aprendi o poder da comunidade, porque oúnico jeito de podermos contar essa história foi porque eles nos permitiram entrar na vida deles. Eram imigrantes dominicanos e asiáticos bem expressivos e afetivos, e eu aprendi muito com as mães dessa história, pois a maioria delas eram mães solteiras. Uma delas perdeu um filho, mas o outro sobreviveu. Ela disse que amor é prestar atenção ao presente. Os pais ficaram felizes que nós contamos suas históriasporque a maioria deles nem falavam inglês, então foi uma maneira de levar issoa diante. Como eu fiquei um ano trabalhando nessa matéria, ganhou espaço na mídia e nós conseguimos até aumentar a segurança pelo lago.

O que mudou na sua carreira depois de ganhar o Pulitzer?
Depois do Pulitzer fui convidada a dar aula em uma universidade para mulheres. O The New York Times, que era meu sonho de trabalho, disse que se eu fosse dar aulasestaria fora do mercado jornalístico. Mesmo assim eu fui, e ainda consegui trabalhar para alguns outros jornais, como no The Boston Globe, onde eu tive mais uma grande matéria. Outra história que eu fiquei um ano trabalhando e que eu sabia que tinha elementos que poderiam ganhar um Pulitzer. Eu fiz a matéria como freelancer, sobre a união de uma comunidade para salvar uma menina com câncer cerebral raro. A família queria juntar dinheiro para conseguir fazer a pesquisa sobre a doença, e com essa série de matérias conseguimos juntar um milhão de dólares. Esse foi o meu trabalho mais árduo devido ao grau de intimidade.

 

Você desistiu do seu emprego dos sonhos no The New York Times para se dedicar a educação. Lecionar é hoje o seu emprego dos sonhos?

Eu achava que tinha trocado o jornalismo pela educação.Quando comecei a dar aulas em Harvard e trabalhei no Harvard Gazette, descobri que eu podia unir os dois. De Harvard eu fui para oMassachusetts Instituteof Technology(MIT), ajudando as pessoas a entenderem as tecnologias e ciências pesquisadas ali com boas histórias. Hoje, eu trabalho no Boston Hospital que é de Harvard, e continuo contando histórias. Meu trabalho é entrevistar professores sobre as pesquisas científicasdesenvolvidas ali, no hospital que é um dos maiores do mundo em pesquisa sobre a saúde das crianças. Então, é um impacto diferente, eu ajudei a levantar 1bilhão e meio de dólares para pesquisas com as matérias que eu faço com os professores e seus trabalhos.

 

O que mais te apaixona em contar histórias?

Eu acho que é poder contar essas historias, mostrar como essas pessoas se sentem, porque os envolvidos sentem a sua presença, se você se importa, se você está de verdade ali, e eles podem sentir isso em mim porque nesse trabalho criamos relacionamentos. Eu escrevia minhas perguntas para guiar as entrevistas, mas parei de fazer isso, porque eu me coloco no lugar da pessoa, e no fundo a chave é empatia e respeito. Eu descobri que ser uma repórter é saber dar um passo pra trás. Você não esta na história, você está lá pra contar a história. Por isso o jornalismo também é sobre criar uma casca grossa. É muito importante aproveitar onde você está, porque eu gostei de Toronto só depois que eu saí de lá, podia ter aproveitado melhor essa oportunidade. Toronto é pequena como aqui, deve ser ótimo de fazer jornalismo em Foz do Iguaçu.

 

Todo bom jornalista é um ouvinte, e para ser um bom ouvinte é preciso saber se colocar no lugar do outro e ver como aquela história precisa ser contada, não como você quer conta-la. De todas as lições que Meg Murphy deixou naquela noite, a mais importante é de grande valia não só para os jornalistas. Murphy mostrou em sua história e nas histórias que contou o poder da empatia. Como é importante você realmente ouvir e esta ali pelas pessoas, saber se colocar em segundo plano e se deixar inserir na realidade dos outros, compartilhando de seus sentimentos.

 

 


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