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Um pouco da história do Sábio Bertoni




Assim era conhecido o mais extraordinário imigrante que chegou à tríplice fronteira
Por Sérgio Fernandes

              

Moisés Santiago Bertoni era um naturalista suíço de língua italiana que veio para a América do Sul no ano de 1884 e viveu no Paraguai de 1887 a 1929.Com acentuada vocação científica e crítica, incentivado desde sempre por sua mãe, GiuseppinaTorreani, aos 17 anos fundou o primeiro observatório meteorológico em Lottigna, uma vila no cantão do Ticino, na Suíça. Também traduziu e reescreveu um compêndio de Geografia para uso escolar, estudou o eucalipto e escreveu artigos sobre a história de Ticino. Antes dos 18 anos, ingressou na Universidade de Genebra para estudar direito, atendendo a sugestão do pai, Arnoldo de WinkelriedBertoni, mas parou para começar Ciências Naturais, na Universidade de Zurique. Ao longo da vida pesquisou diferentes áreas científicas, como Antropologia, Astronomia, Botânica, Química, Geografia, Medicina, Meteorologia, Mineralogia, Política, Sociologia e Zoologia.

 

Chegada na Argentina

Em 1884 mudou-se com a família e um grupo de pessoas para a América do Sul, se estabelecendo na Argentina. O grupo era formado por Bertoni, a esposa Eugenia, 5 filhos, a mãe e 40 amigos agricultores. Chegaram a Buenos Aires após 21 dias de viagem no vapor NordAmerica.O grupo obteve importantes facilidades para o assentamento na região de Misiones com o presidente Julio Roca, que interessado na colonização da Argentina, concedeu a eles terras na colônia Santa Ana.

Quando uma crise financeira culminou em problemas para a agricultura, aumentou as perseguições aos agricultores que ocupavam terrascedidas pelo governo. Mesmo assim,Bertonipermaneceu na Argentina por mais um tempo, acompanhado de apenas uma das 40 famílias que vieram com ele. Em 1886 publicou o primeiro livro sobre plantas exóticas do solo argentino, principalmente falando do eucalipto. A série de desastres as margens do rio Yaveviry, onde foram viver a 15 quilômetros de Santa Ana, serviu de experiência para a formulação de uma técnica eficaz para enfrentar as diferenças de clima, solo e de espécies botânicas.

 

Vivendo na selva do Paraguai

Em 1887, quando iniciou seus estudos botânicos e antropológicos, recebeu uma proposta para colonizar a região de Yaguarazapá,no Paraguai, onde fundou uma colônia às margens do rio Paraná. No ano de 1894 a colônia formada era a de Guillermo TellColony, 200 quilômetros ao norte e Yaguarazapá, que mais tarde passou a se chamar Puerto Bertoni.

Com o passar dos anos ganhou notoriedade, o governo paraguaio do general Juan BautistaEgusquiza, reconhecendo seu trabalho científico, o chamou para fundar a Escola Nacional de Agricultura, em Trinidad, onde foi diretor até 1906, ano em que a escola acabou fechando.

 

Bertoni dedicou 45 anos de sua estadia no Paraguai à investigação do clima, solo, ­­­valores étnicos, conhecimento medicinal, extensão e cultura da raça guarani, bem como sua flora e fauna. O resultado de um extenso e ativo trabalho de pesquisa, além dos escritos publicados em periódicos nacionais e estrangeiros, foi um trabalho composto por 17 volumes intitulados "Descrição física, econômica e social do Paraguai". Também é responsável pela estação agronômica experimental e boletim de meteorologia agrícola de Puerto Bertoni,foi Diretor de Agricultura do Paraguai.

 

Descobriu e classificou dezenas de novas espécies de plantas, deixando uma coleção de mais de 7 mil vegetais e aproximadamente 6.500 insetos, com destaque para a planta ka´ahe´ê, a SteviaRebaudiana, erva nativa do Paraguai que acabou tornando-se um adoçante não calórico, com o reconhecimento de ser 300 vezes mais doce que o açúcar. Foi ele também quem classificou cientificamente a erva mate, ilexparaguariensis.

 

Em Caazapá

Inicialmente conhecido como Estação Sosa, o bairro Moisés Bertoni era um dos pontos principais da ferrovia, pois na era dourada do transporte ferroviário havia uma estação de trem localizada nesta cidade, entre as estações de Yegros e Santa Luisa, que não existe mais. A cidade foi rebatizada com o nome atual em 1931, em homenagem ao sábio Moisés Santiago Bertoni, o cientista mais prolífico e importante do Paraguai. É uma cidade pequena, marcada pelo esquecimento do asfalto, como muitas outras no departamento de Caazapá, já que a atual rota VIII deve passar por essa cidade no caminho de Caazapá a Yuty, extensão de 90 km, que marginaliza vários distritos que dependem do acesso o tempo todo.

 

 

O Museu – Monumento Científico y Natural Nacional Moisés Bertoni

O Monumento Científico é uma categoria dentro da Administração de Parques Nacionais do Paraguai (APN). A casa onde Moisés Bertoni viveu com a família no Paraguai é parte de uma reserva de aproximadamente 100 hectares que protege o pouco que restou da mata. A casa-museu é tudo que restou da antiga Colônia Guillermo TellColony, de pouco mais de 12.000 hectares, local que era um sonho para Bertoni.

 

As construções de madeira são do século passado, templos considerados a vida e obra do cientista suíço. A casa possui dois andares ainda com seus pertences, livros, coleções e objetos. É possível ver plantas exóticas centenárias da região e de outros países. Além disso, é possível visitar o cemitério da família Bertoni, bem como conhecer os artesanatos indígenas vendidos por uma tribo que habita a vizinhança.

 

O Monumento Moisés Santiago Bertonifaz parte do corredor ecológico mais importante da região, correspondendo aos remanescentes da Mata Atlântica que integram outras reservas e abrigos biológicos do Departamento do Alto Paraná e Canindeyú.

 


“Eu vivo no censo dessa natureza que é minha religião e minha vida

 

 

- As grandes paixões de Bertoni foram as Ciências Naturais e os ideais de igualdade e justiça social para todos os homens.

 

- A mãe de Bertoni foi a professora de seus 13 filhos com Eugenia.

 

- Bertoni adotou um filho indígena da tribo Ava Mbya.

 

- No ano de 1918, a família Bertoni se instalou em plena selva e fez o primeiro periódico regional El Altoparanaense com notícias do Paraguai, da Argentina e do Brasil.

 

- Bertoni viveu até 19 de setembro de 1929, morreu de malária aos 72 anos de idade. Ele faleceu sem saber que a esposa Eugenia havia falecido 15 dias antes da sua morte, vítima da mesma doença.

 

- Os herbanários de Bertoni chegaram a ter 6 mil espécies, fruto de quase 40 anos de coletas.

 

- Ele escrevia em Francês, Inglês, Latim, Espanhol e Guarani.

 

-Publicou um total de 542 obras, das quais 107 foram na Suíça, 28 na Argentina e 389 no Paraguai.

 

Fontes

Livro Moisés Bertoni

Uma vida para a ciência de Evaldo Buttura e Aline Niemeyer

Portal Guarani

Portal Oficial Ministério da Agricultura e Pecuária do Paraguai

 

1ª Exposição Inédita: 90 anos em homenagem a Moisés Santiago Bertoni

A história preservou o legado do conhecimento da bibliografia de Moisés Santiago Bertonina exposição interativa contemporânea.

 

A Exposição Fotográfica Multimídia Interativa é um retrato vivo científico e acadêmico, queexpõe todo o material de apoio didático existente e nos ajuda a preservar e difundir a cultura e história da bibliografia de Moisés Santiago Bertoni, considerado por muitos um gênio e sábio homem multidisciplinar, que deixou um imenso legado para humanidade. Agradecemos imensamente o apoio das pessoas em geral e os familiares de Moisés que contribuíram para a realização do projeto, a exposição e o vídeo. Assim, conseguimos juntar e resgatar algumas peças, objetos, fotos e documentos que revelam fatos e situações vividas por Bertoni quase 150 anos atrás. São trechos que nos remetem ao passado, descritos por ele em alguns dos seus cadernos de anotações datados de 1877-1907. Nele, relatos impressionantes de lembranças com descrições de fatos que só os familiares de Bertoni poderiam saber.


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