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09 Nov | 11:30:44

Vinho democrático. Um brinde pra toda estação!




O sommelier Leo Rodrigues é nosso convidado especial. Ele fala sobre a democratização de um bom vinho ao paladar e em qualquer estação.

Desde os primórdios, o vinho vem sendo consumido nas mais variadas e inusitadas situações e lugares. Sua história é intrínseca àquela da civilização. Desde seu surgimento, provavelmente inusitado por meio da fermentação involuntária do suco de uva em algum recipiente primitivo, vem sendo estudado, tendo evoluído e ganho importância e espaço.

No início de sua história, por mais inovadoras que fossem, com registros que remontam ao Egito antigo, as técnicas vitivinícolas eram precárias se comparadas às atuais, bem como o “gosto” das pessoas que consumiam o vinho que era produzido. Este, que pouco tem a ver com a bebida que consumimos nos dias atuais, era saborizado com especiarias variadas e adocicado pela presença de mel. Desde sempre considerado um alimento pelo seu conteúdo calórico, era consumido junto aos alimentos casualmente, harmonizando àquilo que era disponível, sem ao menos pensar na possibilidade de buscar um resultado gastronômico.

A bebida, por muito, foi exclusividade dos nobres, sendo servida em luxuosos jantares e oferecida em rituais e cerimonias religiosas, além de centro de grandes descobertas, perpetuadora de grandes amizades, agente amenizador de conflitos, bem como, motivo de intrigas contadas em célebres livros.

O mundo do vinho, felizmente, desde o princípio, mantém-se em contínua evolução agrária, tecnológica e científica, e embora as condições climáticas instáveis, os conhecimentos adquiridos pelo homem, com o passar dos anos, nos permitem em dias atuais encontrar uma grande variedade de produtos enológicos, com diferentes características, prontos a suprir todas as expectativas e exigências, por mais variadas e discutíveis que elas sejam.

Preços são um coeficiente de considerável importância na venda ou compra de vinhos, mas há uma imagem errônea de que somente vinhos caros são vinhos bons, ou mais absurdo ainda e certamente todos já ouvimos o “dizer”: “o vinho quanto mais velho melhor”. Existe sim uma explicação para o número significativo de vinhos com valores exorbitantes, ou, com vários anos de vida, alguns aproximando-se da idade centenária, se já não a alcançaram, mas essa imagem não deve ser generalizada, uma vez que a minoria dos rótulos atualmente disponíveis no mercado são vinhos aptos a perdurarem através dos anos.

Levando em consideração a atual condição de superpopulação mundial, bem como a má distribuição das riquezas disponíveis, o acesso ao vinho vem sendo facilitado, seja pelo enorme número de produtores que vem surgindo ao longo dos últimos anos, aproveitando-se do crescente número de interessados pela bebida, bem como produtores renomados que perceberam o nicho de mercado e constantemente lançam no mercado produtos acessíveis, tornando assim o vinho acessível às diferentes classes sociais.

O contemporâneo é muitas vezes sinônimo de diversidade e existe uma onda de novos consumidores de vinhos ganhando força a cada dia, ditando tendências e regras. Sabe-se que vivemos na era da geração Z e por isso deve-se levar em consideração não só o poder de compra, mas as necessidades e a influência que a mesma exerce sobre o mercado.

Certamente, todos já se depararam com o termo harmonização, que tem como significado o efeito ou ação de harmonizar; também sinônimo de combinar, conciliar, reconciliar, compatibilizar, associar etc. Levando em consideração os esclarecimentos e os fatores sociais antes mencionados, no mundo do vinho, dentre as escolas de pensamento que motivam e dão significado para o consumo da bebida, tornam-se coeficientes importantes os que chamamos de “princípios da harmonização moderna”.

Alguns dos conceitos relativos à harmonização moderna podem ser aliados e servir de inspiração na arte de harmonizar vinhos. Se considerarmos uma determinada cultura local, harmonizaremos o que se consome historicamente; já o que chamamos de “harmonização sazonal”, inspira o princípio de consumir em cada estação do ano o elemento mais adapto ou aqueles que, naquele momento, podem ser encontrados em maior quantidade e melhor preço. “Harmonização psicológica ou poética” é quando um vinho é proposto, por exemplo, em ocasiões ligadas a momentos particulares, como acontecimentos românticos, onde é imprescindível que a circunstância se torne inesquecível.

O propósito da harmonização é despertar sensações harmônicas e valorizar momentos ou percepções. Há inúmeras variáveis que incidem na escolha do vinho, porém, não se deve abrir mão do critério de maior relevância, o gosto pessoal. Existem pessoas que recusam determinadas tipologias de vinho, como brancos, rosés, espumantes ou, mais ainda, recusam vinhos leves e tendem a consumir somente vinhos carregados e alcoólicos. Mas devemos todos concordar que sob um sol de 40º fica difícil consumir vinho demasiado alcoólico.

O brasileiro é culturalmente cervejeiro, motivado pelo clima tropical, consome pouco vinho e durante o verão ainda menos. Mas graças ao trabalho de profissionais do vinho e formadores de opinião, a descoberta das prazerosas borbulhas de um bom espumante corretamente servido, do frescor de compartilhar um vinho branco com amigos à beira da piscina e da versatilidade de um vinho rosé harmonizado ao jantar em uma noite calorosa, vem sendo testada e comprovada, por mais e mais pessoas. Um clássico que combina sim com qualquer estação: seja inverno ou verão.  Vinha o vinho!


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