• (45) 3027-2551
  • (45) 99834-2934
  •         
Foz do Iguaçu, Paraná    º ↓º    29 Jan | 07h46
Revista
DIVA MAG
Assine Já
11 Jan | 16:18:21

Ao infinito e além, meninas!





Em comemoração à primeira caminhada espacial feita somente por mulheres, a Diva Tech – nova editoria da revista Diva – traz outras cientistas mulheres que revolucionaram a área da tecnologia.

A primeira caminhada espacial feita por um grupo composto somente por mulheres não estava nos planos da NASA, cedo ou tarde ela aconteceria porque o número de mulheres astronautas vêm crescendo exponencialmente. Apesar de não ser proposital, o fato seria um marco histórico para a ciência e um grande passo em direção à equidade de gêneros, mas um problema com os trajes espaciais quase adiou este momento. Faltava um traje tamanho M para uma das astronautas, que iria ter de ceder seu lugar para o colega Nick Hague. Quando anunciada, a decisão causou grande comoção na internet, até mesmo a ex-candidata a presidência, Hillary Clinton, publicou em sua conta no Twitter um pedido para a NASA fabricar outro traje. O momento parecia propício então, assim foi feito. A operação de reparo de um controlador de energia da Estação Internacional Espacial (ISS) estava marcada para o dia 29 de março, mas para poder entrar para a história com as duas astronautas mulheres, foi adiada para o dia 18 de outubro.

Christina Koch e Jessica Meir, as astronautas que participaram da caminhada, são formadas na mesma turma de 2013, que foi constituída 50% por mulheres. As duas foram guiadas por Stephanie Wilson, astronauta veterana que comandou o trabalho de comunicação da missão. Essa foi a 221ª caminhada espacial realizada pela NASA, mas é apenas a 43ª a incluir uma mulher. As astronautas permanecerão na estação até fevereiro de 2020, e Koch, que chegou em 14 de março, será a mulher que mais permaneceu no espaço na história, completando 328 dias na ISS. Koch é a 14ª mulher a participar de uma caminhada espacial, sendo a primeira viagem de Meir. Todas essas experiências estão servindo de base de dados para que os pesquisadores possam observar os efeitos de missões espaciais de longa duração sob o corpo de uma mulher, já que a NASA planeja enviar a primeira mulher à lua em 2024, na missão Artemis.

As mulheres sempre estiveram presentes na ciência e fizeram grandes contribuições ao desenvolvimento de novas descobertas tecnológicas. No final do século XIX faculdades e universidades foram fundadas para atender o público feminino, e até mesmo as já existentes passaram a aceitar o ingresso de mulheres. Essa mudança proporcionou mais oportunidades de emprego para as mulheres que estavam cursando doutorados em várias áreas da ciência. A presença feminina já lutava por espaço e reconhecimento, mas foi nessa época que o número de mulheres nas instituições de ensino passou de pouco mais de 3.000 em 1875 para quase 20.000 em 1900. Confira a seguir uma lista de mulheres que conquistaram grandes feitos em uma área geralmente conhecida por ser dominada por homens!

Laura Bassi (1711 - 1778)
Bassi foi a primeira mulher a lecionar em uma universidade na Europa e a terceira mulher a obter um diploma universitário no ocidente. Foi uma grande disseminadora das ideias de Newton e ministrou cursos sobre suas teorias durante 28 anos. Realizou também seus próprios experimentos e escreveu quase 30 artigos científicos sobre diversas áreas da física. Foi nomeada como única mulher de um grupo de estudos criado pelo Papa Bento XIV.

Ada Lovelace (1815 -1852)
Ada era filha do famoso poeta britânico Lord Byron, mas acabou fazendo seu nome em uma área completamente diferente. Considerada a primeira programadora do mundo, deu início às ciências da computação com sua pesquisa em motores analíticos, base para a invenção dos primeiros computadores. Foi Ada Lovelace quem tornou a máquina de Charles Babbage, um dos pioneiros da programação, capaz de processar os primeiros algoritmos conhecidos.

Marie Curie (1867 – 1934)
Grande conhecida da época da escola, Marie Curie é provavelmente a primeira referência que temos de uma mulher na área da ciência. Tida como Mãe da Física Moderna, Curie foi pioneira nos estudos sobre radioatvidade, sendo a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel e é até hoje a única pessoa a ter sido laureada com o prêmio duas vezes em áreas distintas: física e química!

Grace Hopper (1906 - 1992)
Hopper foi almirante e analista de sistemas da Marinha dos EUA. Fez a diferença no mundo da tecnologia com a criação do primeiro software de computador. Foi ela também que incorporou à programação o uso de palavras e não somente números através de seu compilador para computadores, tornando assim a linguagem muito mais acessível e simples. Também foi ela quem cunhou o termo “bug”, como uma falha de programação.

Hedy Lamarr (1914 - 2000)
A austríaca Hedy Lamarr foi uma atriz mundialmente famosa que serviu de inspiração ao Walt Disney para criar a primeira princesa da Disney a Branca de Neve. Mas não é por isso que ela está nessa lista, obviamente, porque além disso, durante a Segunda Guerra Mundial, Hedy Lamarr trabalhou para ajudar a despistar os nazistas criando o canal de frequência que foi usado de base para desenvolver os celulares de hoje em dia. Sua invenção ainda facilitou a criação das redes Wi-Fi, do GPS e do Bluetooth.

Joan Clarke (1917 - 1996)
Clarke foi uma criptoanalista que trabalhou na quebra dos códigos nazistas da Enigma na Segunda Guerra Mundial, juntamente com seu amigo Alan Turing, famoso matemático e cientista da computação. Fez parte da equipe que construiu um dos primeiros computadores e ajudou com que a guerra durasse 2 anos a menos. Foi contratada como linguista, porque criptografia não era considerado um trabalho que uma mulher pudesse desempenhar. Tornou-se vice-chefe da sua equipe e em 1947 se tornou Membro da Ordem do Império Britânico.

Margaret Hamilton (1936)
Hamilton foi diretora da Divisão de Software no Laboratório de Instrumentação do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) e desenvolveu o software que tornou o pouso na Lua possível. Com base em seu trabalho, foi desenvolvido o código para criação do primeiro computador portátil da história. Hamilton fundou sua própria empresa, onde hoje é a CEO, a Hamilton Technologies.  Em 2016 ela recebeu do então presidente Barack Obama, a Medalha Presidencial da Liberdade, mais alta honraria civil americana.

ENIAC (1943)
OElectronic Numerical Integrator and Computer foi o primeiro computador digital eletrônico de uso geral, começou a ser desenvolvido em 1943 para agilizar as tabelas de artilharia da Segunda Guerra Mundial, que eram feitas por pessoas, enquanto o ENIAC podia fazer 5.000 operações por segundo. Ele era programado por várias pessoas que percorriam filas acionando os milhares de interruptores que davam a resposta por uma sequência de lâmpadas. Pesava quase 30 toneladas e necessitou de 500.000 dólares para sua construção, sendo que seu centro de processamento era muito similar ao que hoje utilizamos em calculadoras portáteis.

Na fase de teste do ENIAC, foi montada uma equipe com 80 mulheres da Universidade da Pensilvânia para fazer manualmente os mesmos cálculos que o computador. Quando ficou pronto, seis mulheres da equipe foram selecionadas para testar a máquina: Kay McNulty, Betty Jennings, Betty Snyder, Marlyn Wescoff, Fran Bilas e Ruth Lichterman.

Thaisa Bergmann (1955)
Há 30 anos é professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e recebeu este ano o Prêmio Internacional Para Mulheres na Ciência da L’Oréal-Unesco. É uma das mais renomadas astrofísicas do mundo por seus estudos sobre buracos negros supremassivos.

Mae Carol Jemison (1956)
Formada em Química e Medicina, Jemison foi a primeira mulher afro-americana a ser admitida no programa de astronautas da NASA e também a primeira a viajar para o espaço. Dois anos depois de sua missão a bordo do Endeavour, criou o programa internacional para crianças A Terra Que Compartilhamos, um acampamento científico que voltado para o aprimoramento de resolução de problemas e conhecimento de literatura científica. Ela também lidera a organização 100 Year Starship, que trabalha para levar seres humanos além do Sistema Solar nos próximos 100 anos. Jemison sempre foi uma grande fã de Star Trek, e graças a sua notoriedade, teve a oportunidade de participar do episódio “Star Trek: Next Generation”, interpretandoa Tenente Palmer, da Equipe de Operações.

Rosaly Lopes (1957)
Astrônoma, geóloga planetária e vulcanóloga, Lopes é brasileira, nascida no Rio de Janeiro e formada na Universidade de Londres em uma das primeiras turmas de astronomia. Ela possui um recorde no Guinness Book por ter descoberto 71 vulcões em um satélite de Júpiter. Desde 1980 trabalha no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e recentemente se tornou editora da revista Icarus, uma das mais importantes publicações científicas do mundo no campo da ciência planetária, se tornando a primeira editora mulher e também primeira pessoa não americana a ocupar o cargo.

Sonia Guimarães (1957)
Guimarães é a primeira mulher negra a se tornar doutora em Física no Brasil e também a ser professora no Instituto de Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ingressando na instituição quando mulheres ainda não eram aceitas como estudantes. Seu desejo era fazer uma faculdade de engenharia, mas como sua nota não tinha alcançado a média necessária, arriscou entrar em Física. Trabalhou no Instituto de Aeronáutica e Espaço da Foça Aérea Brasileira por 14 anos e hoje é professora Física Experimental. Desenvolveu um sistema de sensores de radiação infravermelha que aguarda registro de patente, para então ser formalizada também como inventora.     

Duília de Mello (1963)
Cientista e astrofísica brasileira, nascida em São Paulo, é formada em astronomia pela UFRJ, é mestre pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe),doutora pela USP, e possui pós-doutorado no instituto do telescópio espacial Hubble, onde produziu imagens das profundezas do universo. Trabalha há 20 anos na NASA, é professora e vice-reitora da Universidade Católica da América, em Washington. Mello é responsável pela descoberta da supernova 1997-D.

Ana Paula Castro (1992)
Formada pela Universidade de Brasília em Engenharia Aeroespacial, atualmente faz mestrado em Direito Espacial pela Beihang University, na China, e pode ser a primeira astronauta mulher brasileira. Foi selecionada para a segunda campanha do projeto EuroMoonMars in Hi-Sea, uma missão simulada da Agência Espacial Europeia (ESA), onde a NASA também realiza os treinamentos para suas missões. Dos seis jovens selecionados, cinco são mulheres, que participarão da simulação realizadda no deserto do Havaí, em dezembro deste ano.

 


Compartilhar


Posts Relacionadas


Comentários