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03 Mai | 15:51:47

Comunicação não-violenta em época de polarização




Comunicação não-violenta em época de polarização foi tema de trabalho de desenvolvimento de redação para turmas de terceiro e quarto períodos de jornalismo da UDC. A seguir as cinco redações de destaque e suas autoras. 

 

Joanne Kamila Birnfeldt 

Comunicação não-violenta em tempos de polarização.


Em um momento em que grande parte das situações são divididas e
disputadas, uma abordagem de comunicação pode auxiliar.

Presenciamos um momento em que praticamente tudo tem dois ou até mesmo vários
lados. Com isso podemos observar ao passar dos anos como cada indivíduo fortalece
suas ideias, que foram formadas, e carregam consigo uma opinião própria, isso é algo
importante, pois cada um tem um motivo para seguir determinados gostos e opiniões.
Dessa forma, essa identidade é carregada e pode ser hereditária, ou seja, passada de
pais para filhos.
É visto que esses argumentos, resultam em grupos que os apoiam e motivam, porém,
poucas pessoas buscam entender o lado contrário a sua opinião, seja apenas para
conhecimento, mas mesmo assim, não analisam e apenas fortalecem aquilo que
defendem e gostam. Evidentemente a aceitação e o entendimento sobre as opções se
torna algo cada vez mais complicado.
Com isso, é possível observar essa disputa em vários aspectos: como em
posicionamentos relacionados a vida pessoal dos indivíduos nos meios de
comunicação, nas redes sociais, nos relacionamentos diários e em situações políticas.
Contudo, independente de qual é o círculo em que esteja presente essas
representações, é extremamente importante saber comunicar de forma correta, para
evitar violência e constrangimentos por defender aquilo que você aprecia.
Uma prática conhecida como Comunicação Não – Violenta (CNV), estruturada pelo
Psicólogo Marshall Bertram Rosenberg, faz uma consideração significativa. Tal prática
leva os indivíduos criarem conexão um com o outro, e através disso compreendem as
formas de falar e ouvir, gerando empatia. A partir do momento em que você escuta o
outro lado e analisa, não necessariamente você deve mudar seus conceitos, mas
entender e respeitar. Sendo assim, para que ocorra a CNV, é necessário observação,
sentimento, necessidades e pedido. Marshall estruturou essa comunicação quando ele
atuou no movimento norte – americano dos direitos civis, em que seu papel era o de
orientador educacional.
No sistema da Comunicação Não-Violenta os princípios que são itens essenciais podem
ser identificados de forma prática. Para compreende-los melhor, por exemplo, a
observação pode ser feita relatando aquilo que nos incomoda, sem julgamentos. O
sentimento pode ser expressado através de explicarmos o que sentimos com relação a
determinado ponto. Já a necessidade você pode encontrar quando identifica os
elementos que são primordiais para você, os valores e desejos que geram determinado
sentimento. E também o pedido pode ser realizado com uma simples pergunta para a
outra pessoa de forma clara sobre a ação que os demais esperam dele.
Mas quando se analisa o avanço das tecnologias, dos meios de comunicação e a
formação de novas mídias, podemos levar em conta que esses meios vão criar novos

grupos. Como já acontece nas redes sociais conhecidas por exemplo, o Facebook,
Twitter e também o Instagram, que são plataformas onde os usuários utilizam para
transmitir uma mensagem, e como esses meios possuem uma tecnologia chamada,
“algoritmo”, ela filtra as informações que a pessoa procura e encontra aquilo que ela
gosta. Com isso esses canais passam a oferecer conteúdos relacionados ao seu gosto,
fortalecendo assim ainda mais a opinião que o indivíduo tem formada e que a defende.
Se analisar em um ponto político, a polarização está fortemente presente, e isso é
perceptível. Por exemplo, em campanha eleitoral os candidatos têm seus seguidores, e
na maioria das vezes eles são fiéis a um dos concorrentes a vaga. Por isso vemos na
política a divisão partidária, como acontece no Brasil com os lados de esquerda e de
direita ou como ocorre nos EUA com os democratas e republicanos, que são inimigos e
defendem fortemente seus ideais. Além disso, essas divisões podem e geram violência
verbal e até mesmo física, pois as pessoas não procuram entender o lado oposto, e
simplesmente respeitar aquilo que as outras pessoas gostam.
E como a polarização já está presente na política, podemos encontra-la muito
participativa nas redes sociais, sendo que candidatos e eleitores estão participando
dessas redes. Mediante a curtidas e seguidores buscam conquistar outras pessoas e
inclusive utilizar de ferramentas pagas para alcançar o público desejado.
Então o conhecimento e a prática da Comunicação Não – Violenta, é extremamente
importante. A necessidade de comunicação adequada entre pessoas, seja ela individual
ou em grupos é cada vez mais necessária. Porque a partir do momento em que um
indivíduo busca ter entendimento sobre o que o outro fala e expressa respeito com
aquilo que o outro defende, a sociedade começa a se comunicar de forma diferente,
uma vez que tendo essa prática presente as pessoas vão conviver melhor, pois empatia
pelo próximo e atenção faz ocorrer melhores interações.
A comunicação violenta gera comportamentos inadequados de várias maneiras. Ela é
muito prejudicial para a saúde mental e autoestima, pela falta da forma correta de se
expressar e das mensagens não serem compreendidas, ou seja, a empatia não está
presente nesses momentos. A presença de comportamentos inapropriados e a réplica
desses, podem ser notados no ambiente midiático. Um exemplo, são as fake News que
circulam em grande quantidade nos meios de comunicação, e provocam reações graves
e violentas.
Muitas empresas e organizações estão incentivando a CNV. Pois ela promove a
comunicação e a conexão, que são itens importantíssimos dentro desse meio, com isso
os colaboradores conseguem manter um diálogo positivo, que gera cooperação e
possivelmente produz resultados duradouros.
Mas assim como já citados os pontos para se obter a CNV, que são a observação, os
sentimentos, as necessidades e o pedido, alguns outros pontos podem ser analisados.
Esses colaboram para ter um diálogo adequado, como evitar julgar, pois quando alguém
é julgado, percebe - se que teve a intenção de machucar o outro com o julgamento e
isso impede de as pessoas terem empatia, que é um ponto fundamental para essa
prática. Outro ponto é o autoconhecimento, que nos permite conhecer nossos
comportamentos e assim medir o impacto que nossas atitudes podem provocar nas
outras pessoas. A expressão dos sentimentos é crucial, porque quando conseguimos
expressar aquilo que queremos, sem ofender alguém, fica mais fácil encontrar a
solução. Além desses, outros também podem ser levados em conta, como a prática de
ouvir.

Então quando fazemos uma reflexão e analisamos o como tudo isso acontece, vemos
a necessidade de se ter uma comunicação satisfatória, adequada e empática, pois
assim vamos evitar a violência e gerar uma sociedade responsável, que preza pelo
respeito.

 

 

 

Fabiula Tais Rodrigues Marcão

Comunicação não-violenta em tempos de polarização.


A comunicação empática para conviver com o conflito da polarização com
respeito aos demais posicionamentos.

Uma comunicação eficaz e com empatia. A Comunicação Não Violenta
(CNV), estruturada pelo psicólogo norte-americano Marshall B. Rosenberg nos
anos 60, durante o auge do movimento a favor dos direitos civis e contra a
segregação racial dos Estados unidos da América. O papel de Rosenberg,
durante essa conturbada transição, era ensinar mediações e técnicas
de comunicação baseadas no respeito.  Seu estudo tem sido aplicado no
contexto de polarização para que discursos sejam entregues a sociedade de
uma maneira mais empática, facilitando a comunicação e incentivando que as
pessoas estejam mais abertas para diálogos pautados em temas gerais da
sociedade.

A comunicação sempre foi fundamental na evolução humana,
principalmente no aspecto cultural. Afinal, a forma como nos relacionamos está
diretamente ligada a nossa expressão como sociedade. Nesse contexto, somos
muito influenciados, uma vez que quem tem voz e espaço de fala é quem dita o
certo do errado, logo nossos governantes possuem esse lugar. Ao longo dos
anos desenvolvemos opiniões e pensamentos que com o passar foram se
tornando divergentes entre a sociedade, de modo que pessoas enxergam o
mundo de uma maneira pessoal, e entender que pessoas pensam diferentes é
fundamental. Criar diálogos baseados na empatia faz com que a comunicação
ocorra da melhor maneira e menos polarizada.

O pronunciamento de palavras que incitam a violência pode ser ainda
mais poderoso quando dito por nossos governantes e autoridades, pois ele tem
o poder de unir grupos em torno de um discurso violento, de maneira que são

eles os maiores exemplos dentro da comunidade, a maior referencia social está
configurado em cada um. A linguagem tem poder de influência e em um
cenário de polarização política percebemos ainda mais isso.

O poder de influência do discurso pode ser visto principalmente nos
discursos políticos e na forma como as figuras políticas se comunicam com a
população. Tendo em vista a responsabilidade dos governantes, principalmente
em momentos de crise, pode parecer de comum acordo que expressar-se sem
empatia, sem conhecimento de causa ou até mesmo silenciando e/ou
violentando determinados grupos de pessoas é danoso para democracia.

O incentivo à CNV na sociedade promove conexões consistentes e
duradouras. A partir do entendimento das necessidades do outro,
estabelecemos o diálogo produtivo baseado no respeito, cooperação e
gratidão. O desafio de quem adota o método é manter-se atento para não
sucumbir aos maus comportamentos. Sentimentos como individualismo,
egocentrismo, ganância ou preconceito geram situações negativas passíveis
da adoção das práticas de Comunicação Não Violenta.

A Comunicação Não Violenta é a comunicação empática. Nossas ações
devem satisfazer as necessidades humanas (as nossas e a dos outros) sem a
prática de coerção, acusação ou ameaças. Ela parte do ponto de que existem
necessidades universais a serem atendidas.

É importante lembrarmos que em todas as questões da sociedade
teremos opiniões diferentes dos demais, e debater sobre o tema se torna
fundamental, mas isso deve ocorrer de forma saudável priorizando o respeito
no diálogo. Usar das melhores palavras a fim de evitar a ofensa é essencial. A
base da comunicação não violenta é incentivar que diferenças existem e
devem ser pautadas, mas com responsabilidade pelo outro.

Dessa forma, é preciso analisar discursos polarizantes, e criar um
diálogo em cima do uso responsável das palavras. Para perceber que às vezes
ofendemos alguém ao tentar confirmar alguma visão nossa sobre questões da

sociedade que muitas vezes não é vista da mesma maneira pelo outro. Entrar
em uma discussão com o intuito de vencer pode reduzir o momento a um
vazio, sem resolução, sem aprendizado e apenas desentendimento.

A comunicação mobiliza e transforma a sociedade, em aspectos
positivos e negativos, uma vez que ela pode conscientizar, mas também, ao
contrário, provocar situações de violência. Em muitas vezes a divergência de
opinião irá conflitar entre os indivíduos e usar palavras empáticas podem fazer
com que essa discussão vire um debate baseado no respeito.

Entrando em um contexto de polarização de fato, estamos falando de
uma divisão da sociedade em dois polos a respeito de um determinado tema.
Porém, essa divisão pode ser levada de forma negativa, quando esses dois
grupos disputam entre si a favor de uma ideia, não dialogando entre si e se
fechando em suas próprias convicções e opiniões, incitando que seu
pensamento é o único correto, assim acabam dificultando a comunicação.

Na política, podemos analisar de maneira clara esse cenário. Ao apoiar
um candidato x e defende-lo é importante fazer isso com respeito. Uma vez
que na democracia que vivemos temos de respeitar que o outro pensa de outra
maneira, defendendo outro candidato, por exemplo. Assim como os próprios
políticos se posicionam em debates com respeito, seus apoiadores devem
fazer da mesma forma. A comunicação entre pessoas que pensam diferentes
pode e deve acontecer de maneira eficaz e empática.

Em outro contexto, muitas vezes a comunicação acaba não existindo,
tanto em cenários políticos quanto em cenários aleatórios sobre assuntos
gerais de diferentes aspectos na sociedade. Muitas pessoas acabam se
calando, mesmo tendo conhecimento sobre o assunto, tudo por conta do medo
e o receio de não serem ouvidas ou simplesmente ignoradas, com sua opinião
não sendo levada em conta. Da mesma maneira que às vezes uma pessoa não
tem propriedade em certo assunto, mas tem uma opinião sobre ele baseada
em algum conhecimento e não compartilha com outra pessoa por medo de ser

julgada por ela. Muitos irão preferir apenas não se expor, não debater, pois ela
acaba entendendo que é mais sensato ficar calada.

Chegamos à conclusão de que as pessoas não possuem empatia, nem
para ouvir nem para ensinar. Dialogar e debater faz com que cresçamos como
ser humano e assim construímos um mundo de pessoas que se colocam no
lugar do outro e conversam sem ofender. Saber usar as palavras pode facilitar
a comunicação com o outro individuo, evitando o julgamento. Julgue menos e
ouça mais, esteja sempre aberto ao diálogo e busque aprender com aquele
que pensa diferente de você sobre qualquer pauta na sociedade.

 

 

 

ANA CAROLINA DE OLIVEIRA 

Comunicação não-violenta em tempos de polarização.


Uma comunicação mediada garante melhoria e liberdade sobre qualquer posicionamento.


Imagine uma reunião de família, onde todos estão sentados na sala-de-
estar conversando sobre assuntos administrativos, até que uma discordância
de opiniões gera uma discussão, os tons das vozes se alteram e dedos
começam a ser apontados. Parece uma situação pavorosa, não é? Mas é
muito comum, porque as palavras geram uma infinidade de sentimentos, que
na maioria das vezes são ruins, por conta da falta de respeito e excesso de
agressividade.
A evolução humana, assim como a das demais espécies, se deu a partir
das circunstancias e do ambiente em que viviam, para cumprir um único
objetivo: a sobrevivência, e desde os tempos remotos, uma estratégia muito útil
para alcança-la era a formação de grupos. Mas isso não é feito de uma forma
qualquer, porque quando se é inserido num meio com outras pessoas, todas
elas serão diferentes entre si, porém pequenas características que se
assemelham garantem um vínculo e criam confiança, para que assim todos
hajam de forma coordenada e comprometida, em prol de um propósito em
comum, seja ele a própria sobrevivência ou até mesmo uma supremacia.
Grupos políticos veem garantindo presença notória no cotidiano, e nesse
meio é normal que as ideias sejam convergentes, até porque ele depende de
processos que o mantenham em movimento, porém em um cenário de
polarização o país se transforma em um terreno propenso a intolerância e
rejeição. E, dependendo da força que cada lado ganha, suas adversidades
tornam-se hostis, criando sentimentos de ódio e desespero. A partir do
momento em que essas emoções ruins são sentidas, significa que há um fator
que precisa urgentemente ser identificado e dominado.
Não é necessário investigar muito para saber que o que move as
pessoas é a comunicação, e de acordo com o cenário atual corrigir a forma de
se expressar não é só fundamental, é preciso.
Nos anos 60, no auge dos movimentos segregacionistas dos Estados
Unidos, um homem chamado Marshall Rosenberg desenvolveu um papel muito
importante nas mediações das palavras, dando origem a Comunicação Não
Violenta. Para quem ainda não conhece, esse conceito nada mais é que uma
habilidade de controle, onde o indivíduo consegue falar e ser ouvido, gerando
conexão e empatia com o próximo. Lendo assim parece uma tarefa simples,
mas o maior desafio de quem adota essa técnica é manter o foco e passar por
cima dos maus comportamentos que está familiarizado, como a ganância, o
preconceito e o individualismo.
De forma prática, a comunicação não violenta procurar observar
situações problemáticas, dividir emoções, necessidades e desejos, para assim
originar um diálogo mais leve e confortável para ambos os ‘lados da história’,

ações básicas que podem transformar as relações, sejam elas inter ou
intrapessoais.
A crise do novo coronavirus infelizmente tem sido um cenário propicio a
problemas do gênero. As pessoas estão cada vez mais impacientes e
sensíveis mutuamente, e com a cabeça cheia acabam descontando suas
frustrações em quem não tem nada a ver com o assunto, muitas vezes sem
nem perceber.
No geral a internet serve como fator predominante de conflitos extremos
de violência, ainda mais em momentos de crises sanitárias como essa, pois ao
contrário do que era imaginado, essa ferramenta não serviu como objeto capaz
de unir e solucionar discordâncias, mas sim o contrário, quando as pessoas
são confrontadas com opiniões que não as agradam, elas reafirmam com ainda
mais empenho sua ideologia, independente de como seja, a necessidade de
ser ouvida é maior que a precisão de ouvir o outro. Muitos especialistas
acreditam que essa fissura é resultado das inseguranças e medo dos
julgamentos dos outros, exercendo um papel de proteção, o que dificulta muito
a correção do problema, já que é mais fácil uma pessoa assim mudar o foco de
sua ideia do que passar a adotar um comportamento tolerante e resiliente. O
indivíduo prefere centrar seus ideais em questões absolutas do que enfrentar
seu próprio consciente.
Há quem diga que a polarização é um mal necessário para
desenvolvimento crítico, mas não percebem o abismo que existe entre um
posicionamento político de fato e extremos ideológicos. Palavras como
discórdia e rivalidade são as primeiras que se associam a esse primeiro termo,
o que não é à toa, pois ela destrói possibilidades de diálogos civilizados, deixa
de ser um simples cenário de discordância e passa a ser uma dominação,
exatamente aquilo que a CNV pretende desenraizar. Quando falamos de uma
comunicação mediadora, isso não significa um silenciamento, apenas orienta
uma maior compreensão e liberdade para experimentar uma qualidade de
relacionamento superior a aquela que todos já estão acostumados, e
compreender também não significa concordar, porque tem como interpretar os
motivos que levam uma pessoa a acreditas nas coisas de determinada maneira
e ao mesmo tempo discordar completamente, as intenções que devem nascer
sobre isso é de acolher, não punir.
Para entender melhor é preciso conhecer os pilares desse método: a
observação, o sentimento, as necessidades e o pedido, pois uma coisa acaba
levando a outra. Como por exemplo, lembre-se da reunião familiar citada no
início dessa matéria, se antes da situação calorosa começar a seguinte fala
tivesse sido dita: “Não consigo me identificar com o seu posicionamento
(observação) e isso me deixa um pouco incomodado (sentimento), porque não
quero que isso se agrave (necessidade), teria como você me ajudar a
entender? (pedido)” a história não teria tomado aquele rumo. Ao receber uma
comunicação não violenta, as condições de analisar o que está acontecendo,
notar suas consequências e o que se espera daquilo são bem maiores,
conseguir controlar isso pode evitar muitos conflitos. Não quer dizer que seja
fácil, pois como dito antes, é bem difícil que as pessoas se convençam de
atropelar o próprio ego e furar a ‘bolha’ que está inserida.

Mesmo não estando acostumados com essa “passividade”, todos podem
ir aos poucos tomando pequenas decisões que dão vida a esse método, não
deixando brechas para tristezas e decepções. Sempre devem ser identificados
os pontos em comum com o outro, perder o medo da vulnerabilidade, respirar
fundo antes de qualquer decisão e buscar melhorar dia após dia, aplicar essas
técnicas aos poucos podem com certeza gerar surpresas muito agradáveis.

 

 

Karla Regiane da Costa Silva

Comunicação não-violenta em tempos de polarização.

A Arte de Compreender.

Posicionar-se diz muito sobre você. Diz sobre suas defesas, seus
pensamentos, suas atitudes e suas crenças. Diz sobre sua personalidade e sua
moral. Posicionar-se diz muito sobre você, mas diz muito também sobre o
próximo.
Vive-se um momento da atualidade onde pontos muito frágeis da história
são postos em discussão. Discute-se amplamente sobre quase tudo, e não seria
pra menos a existência de discordância em meio a esses debates. É passível e
totalmente normal, até necessário, se considerado a quantidade de pessoas no
mundo, que hajam opiniões diferentes sobre quase tudo. E a forma a como se
responde a esses conflitos de pensamentos é também um grande definidor de
personalidades.
No período da informatização, quase todas as pautas de assuntos a
serem discutidos ocorrem por meio de redes-socias, mídias e fóruns online.
Discordar de alguém sobre determinado ponto de vista em certo tema é
frequente. Em contrapartida, discordar em muitos casos acaba por significar
ofender ou agir com violência. Entender que nem sempre, e o porquê nem
sempre, será possível mudar o posicionamento de alguém através da ignorância
é o primeiro passo para a tentativa de reversão de uma corrente que já se
enraizou no comportamento humano.
Agressão e violência não são justificáveis em nenhuma ocasião.
Pontos de vista são uma construção social que se adquire a partir da sua
realidade. O contato, ambiente e experiências modificam a compreensão do ser
humano sobre determinado assunto. Empatia é uma importante ferramenta que
deve ser utilizada nesses casos. Se colocar no lugar do próximo e entender suas
motivações é um processo difícil e complexo, mas deve ser praticado. Antes de

discordar e tentar fazer com que o outro compre seus pensamentos, tente você
primeiro entender o que pode fazê-lo posicionar-se desta forma. Se todos
praticarem esse mesmo exercício, muita comunicação violenta poderá ser
futuramente erradicada, restando somente debates coerentes.
Outro ponto deste processo é entender que a comunicação violenta
provoca comunicação violenta. Ao simplesmente criticar o posicionamento do
outro, você está o incentivando a fazer o mesmo. Não o fará pensar diferente,
apenas servirá de impulso para que ele devolva sua agressão com mais
agressão. Não agregará nenhum tipo de aprendizado, fará somente com que a
pessoa se retraia e defenda com mais afinco suas próprias convicções.
A forma como se responde a essas situações de conflitos diz muito,
principalmente, sobre você. Se há críticas sem nenhum tipo de fundamentação
e construção, você não estará se diferenciando do próximo em nenhum aspecto.
Não diga “você está errado!”. Procure dizer “não penso desta forma”. Se a busca
é por um consenso de opiniões mais harmônico, entenda que não fará nenhuma
diferença se você apenas se posicionar de forma agressiva.
Em tempos de tanta violência e dificuldade, compreensão é uma
importante arma. Respeito, humildade e tolerância são caraterísticas
fundamentais a todos. E muitas vezes, saber quem se encontra contigo nas
trincheiras dessas batalhas importa bem mais do que a própria guerra.

 

 

Ana Paula Santos

Comunicação não-violenta em tempos de polarização.


Nos tempos atuais, semear uma comunicação pacifica, insenta de ódio, é essencial e
pode transformar o mundo.


Na política, a polarização nada mais é que a divergência de opiniões entre às
pessoas, nos mais diversos âmbitos comunicacionais. É uma ação inevitável, uma vez
que a singularidade se faz presente em cada ser humano e o torna único, o que pode vir
a causar embates constantes de idéias. No entanto, o que era para ser apenas uma
discussão saudável, onde pensamentos seriam compartilhados e debatidos de maneira
pacifica, tornou-se uma disputa, que tem como principal pilar a violência em seus mais
diversos níveis.
Este fenômeno acontece quando há existência de dois grupos políticos de
extremos opostos, que se vêem como arqui-inimigos, dentro de uma sociedade.
Consequentemente, apoiadores de ambos os lados formam uma comunidade fechada
entre si, tornam-se intolerantes uns com os outros, e o dialogo é substituído por brigas.
Logo, o respeito passa a ser inexistente e há uma ruptura na democracia.
No Brasil, a polarização foi iniciada em 2013 e tomou força em 2018, durante as
eleições presidenciais. Em decorrência das crises econômicas e políticas que assolaram
o país, a população se dividiu em grupos de esquerda e direita, e manifestações em prol
de um determinado lado estouraram por todo o território nacional, como o movimento
“Vem Pra Rua”, considerado uma das maiores mobilizações populares. Atualmente,
segundo uma pesquisa da 3° edição da Pesquisa Fórum, estima-se que 40,8% dos
brasileiros são de direita, 13,6% de esquerda, e 29,9% estão no centro destas ideologias.
Os principais propagadores deste fenômeno não poderiam ser outros: às redes
sociais, por meio do sistema de algoritimos, seleciona conteúdos específicos a serem
exibido para o usuário de acordo com o gosto deste, e acaba o limitando a um único
ponto de vista; os políticos utilizam do crescente impasse para se auto-promover,
utilizando de discursos polarizantes para semear explicitamente a discórdia entre os
pólos.
As regras então, antes fundamentais para um convívio tranquilo, passam a ser
consideradas meros enfeites, e o que era para ser um jogo limpo, transforma-se em algo
sujo, onde provar a veracidade do que se acredita através de qualquer meio é mais
importante que a estima com o próximo.
E as consequências vão desde a desfeita de amizades, brigas familiares, até o
surgimento de problemas sociais. Um exemplo pode ser visto nos Estados Unidos, onde
os dois principais partidos políticos do país lidam de maneira diferente com a pandemia
e acabam por influenciar seus apoiadores a seguirem os mesmos passos: enquanto os

membros do partido republicano se recusam a usar mascara, os democratas são
defensores fiéis do uso do objeto.
Dentro da polarização, a Comunicação Não-Violenta (CNV) é tão inexistente
quanto o respeito, o que torna o ato de dialogar impossível. Tal como o próprio nome, a
CNV parte do conceito de exercer o diálogo sem violência, com eficiência e empatia.
Foi desenvolvida pelo psicólogo estadunidense Marshall B. Rosenberg, nos anos 60,
durante a época de luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, e utilizada por figuras
de extrema importância mundial, como o ativista Martin Luther King Jr, conhecido pelo
combate pacifico que travou contra a discriminação racial.
A CNV incentiva a paz e tem como principal objetivo por um fim nos conflitos,
seja pessoais ou profissionais, exercidos em decorrência da divergência de opiniões.
Para que isto ocorra, mesmo entre pessoas de grupos diferentes, é necessário deixar de
lado os julgamentos pessoais, procurar ouvir e, sobretudo, entender o próximo,
utilizando do respeito como arma.
“Quando entendemos as necessidades que motivam nossos comportamentos e os
dos outros, não temos inimigos.”, cita Marshall Rosenberg, em seu livro intitulado
“Comunicação Não-Violenta”. No entanto, a compreensão, principalmente na sociedade
atual, é algo difícil de adquirir, uma vez que é da natureza humana julgar o próximo por
conta de achismos. Tendo isto em mente, Rosenberg criou quatro componentes que
auxiliam as pessoas a alcançarem essa habilidade, e a praticarem a CNV:
1) OBSERVAÇÃO
Consiste-se em observar com atenção a mensagem que está sendo transmitida,
sem pré-julgamentos, apenas focando em seu real significado;
2) SENTIMENTOS
Identificar o que está sentido perante a situação auxilia no ato de se expressar e é
de grande ajuda nos momentos de resolução de uma discussão;
3) NECESSIDADE
A necessidade parte dos sentimentos descobertos e ocorre por meio de uma
análise do que se está precisando em dado momento;
4) PEDIDO
Por fim, deve-se reunir os itens acima após uma longa reflexão, e transformá-los
em um pedido gentil.
Em tempos de polarização, onde violências físicas e verbais, marchas
supremacistas, repressão e discursos de ódios extremos circulam aos montes pelo globo,
empregar a CNV nunca foi tão necessário. É a partir deste processo, isento de
passividade e que visa transformar a sociedade por meio da simpatia, que a bolha de

pensamento em que muitas pessoas estão inseridas irá estourar e um novo mundo,
inseto de polarização, irá surgir.
A cientista política estadunidense Erica Chenoweth, da Universidade de Havard,
nos Estados Unidos, analisou por um século uma série de protestos e concluiu que,
aqueles que realizam rebeliões pacíficas, possuem duas vezes mais sucesso na busca
pelos seus objetivos. Além disso, o índice de mudanças sociais alcançado é de 53% e há
mais apoio das pessoas. O percussor dessas manifestações, em que o uso da violência
não se faz necessário, foi o indiano Mahatma Gandhi, líder do movimento “Marcha do
Sal”, realizado na Índia, em 1930.
A empatia é a principal ferramenta a se utilizar para que Comunicação Não-
Violenta torne-se realidade. Sem empatia, não existe Comunicação Não-Violenta. Esses
processos estão entrelaçados e dependem um do outro, uma vez que, ao se colocar no
lugar do próximo, por meio da compaixão, as pessoas tornam-se mais sensíveis e
resilientes, e as comunicações violentas transformam-se pó.
No entanto, é necessário praticar a empatia para tê-la, por meio de conversas
reais e sinceras, em que o amor e o respeito se fazem prevalecentes através do que é
dito, e do autoconhecimento e auto-aceitação, que visa utilizar da compaixão e,
consequentemente da empatia, consigo próprio.
Ao se ter empatia, se tem Comunicação Não-Violenta. Ao se ter Comunicação
Não-Violenta, se tem democracia. E ao se ter democracia, se tem liberdade. A CNV
defende que todos os pontos de vista devem ser ouvidos, e então considerados e
debatidos de maneira amistosa, visando o fortalecimento democrático por meio de uma
luta pacifica.

 

 


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